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Estádio do Mar: história do estádio do Leixões em Matosinhos

O Estádio do Mar, em Matosinhos, é a casa do Leixões Sport Club e foi inaugurado a 1 de janeiro de 1964, com uma derrota por 4–0 diante do Benfica. Nasceu de uma subscrição popular, foi desenhado pelo arquiteto Carlos Loureiro e deve o nome aos pescadores de sardinha da cidade. Aqui tens a história do estádio, as obras que o mudaram e como chegar.

O Estádio do Mar em resumo

NomeEstádio do Mar
ClubeLeixões Sport Club
CidadeMatosinhos, no lugar da Cruz de Pau
Primeira pedra1960
Inauguração1 de janeiro de 1964 (Leixões 0–4 Benfica)
ArquitetoCarlos Loureiro
RelvadoNatural, com eixo norte-sul
Clube fundado em1907
Euro 2004Não foi um dos dez estádios do torneio
MetroEstação Estádio do Mar, Linha A (Metro do Porto)

Quem joga no Estádio do Mar?

O Leixões Sport Club nasceu a 28 de novembro de 1907, em Matosinhos, da fusão de três grupos desportivos locais. Em 1907 só havia campeonatos regionais, e o Leixões é um dos clubes mais antigos do país entre os que chegaram ao escalão principal. O percurso do clube está contado na página do Leixões: uma Taça de Portugal, ganha em 1960/61, o 5.º lugar de 1962/63 como melhor classificação no campeonato e uma segunda final da Taça em 2001/02.

O estádio é parte dessa história desde a primeira hora do clube nos grandes palcos. Abriu em 1964, três anos depois da Taça de 1960/61, e foi pensado para uma coletividade que tinha crescido depressa e já não cabia no campo que tinha. Antes do Estádio do Mar, o Leixões jogava no Campo de Santana, e a necessidade de uma casa maior foi o ponto de partida de tudo o que se segue.

Como se comprou o terreno?

O terreno foi pago por um grupo de dirigentes e sócios. Damião de Aguiar liderou uma comissão em que entraram Edmundo Ferreira, Emídio Teixeira de Carvalho, Edison de Magalhães, António da Costa Lage, Carlos Reguengo e João Ribeiro. Reuniram cerca de 500 contos, o suficiente para comprar uns 28 mil metros quadrados na zona da Cruz de Pau, em Matosinhos.

Um conto era mil escudos, a moeda portuguesa da época, pelo que os 500 contos correspondiam a 500 mil escudos. Para um clube de cidade média, a quantia exigiu uma subscrição alargada, e é essa origem popular que dá ao Estádio do Mar o carácter de obra feita pela comunidade e não apenas pela direção.

Porque se chama Estádio do Mar?

O nome é uma homenagem aos pescadores de Matosinhos. Parte do dinheiro para a obra veio de contributos dos pescadores: por cada cesto de sardinha vendido na lota, ia um tostão para a construção do estádio. Foi Emídio Teixeira de Carvalho quem propôs chamar-lhe Estádio do Mar, em reconhecimento a quem tinha ajudado a pagá-lo.

A escolha diz muito sobre a cidade. Matosinhos vive do porto de Leixões, da pesca e da conserva, e o clube recebeu o nome do porto onde o mar entra na vida de todos os dias. O estádio ficou ligado à mesma geografia: o nome do clube, o nome do recinto e a paisagem da cidade apontam todos para o Atlântico.

Quem projetou e construiu o estádio?

O arquiteto responsável foi Carlos Loureiro, com o contributo de Edison de Magalhães, na altura presidente da Associação de Futebol do Porto. A primeira pedra foi lançada em 1960. O relvado ficou a cargo do engenheiro Manuel Lopes de Amorim, que instalou o primeiro sistema de rega artificial do país.

Houve ainda uma decisão de desenho com razões muito práticas. O campo foi pensado primeiro com orientação nascente-poente, mas passou a ter o eixo norte-sul, para que nenhum guarda-redes jogasse de frente para o sol baixo nos jogos do fim da tarde. Foi uma decisão de campo, tomada antes de o betão estar assente, e que ainda hoje define a forma como o relvado está colocado entre as bancadas.

Como foi o dia da inauguração?

O Estádio do Mar foi oficialmente inaugurado a 1 de janeiro de 1964. Estiveram presentes o governador civil do Porto, o presidente da Câmara de Matosinhos e representantes da Associação de Futebol do Porto. O convidado de honra para o jogo inaugural foi o Sport Lisboa e Benfica, que ganhou por 4–0.

A derrota na estreia não estragou a festa, porque o Benfica era então uma das grandes equipas da Europa. Em 1961 e 1962 tinha ganho a Taça dos Campeões Europeus, como se conta nas páginas das finais de 1961 e de 1962. Convidar o campeão europeu para a abertura era uma forma de dizer que Matosinhos tinha entrado no mapa dos grandes recintos portugueses.

O que o Leixões viveu na década de 1960?

O estádio abriu no momento mais alto do clube. Em 1960/61, o Leixões ganhou a Taça de Portugal, ao bater o FC Porto por 2–0 na final, jogada nas Antas, a 9 de julho de 1961. Em 1961/62 chegou aos quartos de final da Taça das Taças, onde foi eliminado pelo Motor Iena, da Alemanha de Leste, por 4–2 no total das duas mãos. Em 1962/63 terminou o campeonato em 5.º lugar, o melhor da sua história.

Foi assim uma equipa em pleno apogeu que se mudou para o Estádio do Mar, e o novo recinto serviu para consolidar essa fase. A história da Taça de Portugal mostra como a vitória do Leixões abriu uma década de vencedores muito variados: nas dez edições entre 1960/61 e 1969/70 houve seis clubes diferentes a levantar o troféu.

Que obras mudaram o estádio?

1988: a bancada poente. Nos anos 1980, o clube reconstruiu a bancada poente, substituindo as estruturas antigas por betão. O clube recebeu cerca de 37 mil contos para o projeto. A nova bancada foi inaugurada a 14 de agosto de 1988 pelo ministro do Planeamento e da Administração do Território, Luís Valente de Oliveira, quando o presidente do clube era Mário Santos.

2002: o relvado levantado. Depois da final da Taça de Portugal e da entrada nas competições europeias, o relvado foi levantado pela primeira vez desde a construção e deslocado para o lado da bancada poente, a Bancada do Mar, afastando-se da bancada superior, a Bancada Super LSC. A obra foi feita com pressa e esteve em dúvida até pouco antes de a época começar.

2007: bancada coberta e projetores. Na época do centenário, a bancada superior foi coberta, protegendo cerca de 2.500 lugares, foram construídas quatro torres de iluminação e melhoraram-se as instalações para a imprensa. As novas infraestruturas foram inauguradas a 24 de novembro de 2007, antes do jogo com o Sporting, para a Primeira Liga. O Leixões estava de volta ao escalão principal depois de ganhar a Liga de Honra em 2006/07.

Complexo Óscar Marques. Junto à Senhora da Hora, o clube mantém o Complexo Desportivo Óscar Marques, aberto em 2002 e reabilitado em 2021, com um campo sintético e bancadas para cerca de 800 pessoas.

Que papel tem o Leixões na Taça de Portugal?

O Leixões é um dos seis clubes que ganharam a Taça exatamente uma vez, ao lado do Vitória SC, do Beira-Mar, do Estrela da Amadora, do Desportivo das Aves e do Torreense. A final de 1960/61 não foi no Jamor, como é tradição, mas nas Antas, o campo do próprio FC Porto, e mesmo assim o Leixões ganhou. Podes ler mais sobre o recinto habitual das finais no guia do Estádio Nacional, e sobre as Antas em estádios históricos que já não existem.

Em 2001/02 o clube voltou a uma final, desta vez no Jamor, e perdeu por 1–0 com o Sporting. Esse lugar na final deu-lhe a Taça UEFA de 2002/03 e a Supertaça de 2002, que o Sporting ganhou por 5–1.

Como é um dia de jogo no Estádio do Mar?

O acesso segue as regras do clube e da competição. Alguns conselhos gerais ajudam.

  1. Confirma a data, a hora e a competição no site do Leixões ou da Liga Portugal.
  2. Chega com tempo e planeia a viagem de metro com antecedência.
  3. Lê as regras de entrada indicadas no bilhete.
  4. Guarda tempo para o controlo de segurança.

Como chegar ao Estádio do Mar?

Metro. O estádio tem estação própria na Linha A do Metro do Porto, a Estádio do Mar, ligada ao centro do Porto e a Matosinhos. Consulta horários e ligações no site do Metro do Porto.

Autocarro. Os autocarros urbanos do Porto e de Matosinhos servem a zona. Confirma as carreiras no site dos operadores.

Carro. Matosinhos fica a poucos quilómetros do centro do Porto. Em dia de jogo, o estacionamento perto do estádio enche cedo, por isso convém planear a chegada.

Onde se encaixa o Estádio do Mar entre os estádios dos anos 1960?

O Estádio do Mar abriu menos de dois anos depois do Estádio do Bonfim, inaugurado a 16 de setembro de 1962 em Setúbal. Os dois fazem parte da vaga de recintos novos que os clubes portugueses construíram depois dos grandes estádios de Lisboa dos anos 1950: casas projetadas de raiz, com bancadas de betão, para equipas que já competiam no escalão principal e na Taça. A diferença é a origem do dinheiro. No Mar, a base foi uma subscrição entre sócios, dirigentes e pescadores, e o terreno foi comprado antes de se lançar a primeira pedra.

Os grandes jogos de cada época continuaram a decidir-se noutros palcos: as finais da Taça no Jamor ou nas Antas, como a de 1960/61. O Estádio do Mar ficou como o recinto onde uma cidade vê a sua equipa semana após semana, e é por isso que a história dele se confunde com a do Leixões.

O que há à volta do estádio?

Matosinhos é a cidade do porto de Leixões, das conservas e do peixe grelhado. Quem vem ao jogo aproveita muitas vezes para jantar nos restaurantes de marisco e de peixe junto à praia, ou para passear na zona do Senhor de Matosinhos, no final da Linha A. O Porto fica a poucos minutos de metro.

Erros comuns ao falar do Estádio do Mar

  • Pensar que o Leixões é do Porto: o clube é de Matosinhos, cidade vizinha.
  • Achar que a inauguração foi em 1963: o estádio foi construído até ao fim de 1963, mas a abertura oficial foi a 1 de janeiro de 1964.
  • Julgar que o Estádio do Mar foi um dos estádios do Euro 2004: não foi.
  • Esquecer o nome: não vem do mar em geral, mas dos pescadores que contribuíram com um tostão por cesto de sardinha.

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Fontes

Verificado em 31/10/2026.

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