Germano: o defesa-central do Benfica bicampeão europeu
Germano de Figueiredo, nascido em Alcântara em 1932 e falecido em 2004, foi o defesa-central do Benfica bicampeão europeu. Saiu do Atlético em 1960, ganhou na Luz quatro campeonatos, duas Taças de Portugal e as Taças dos Campeões de 1961 e 1962, e na final de 1965 foi para a baliza depois da lesão de Costa Pereira. Fez parte do plantel português do Mundial de 1966.
Germano em resumo
| Nome completo | Germano Luís de Figueiredo |
|---|---|
| Nascimento | 23 de dezembro de 1932, Alcântara, Lisboa |
| Morte | 14 de julho de 2004 |
| Posição | Defesa-central |
| Clubes | Atlético (formação desde 1947; equipa principal até 1960); Benfica (1960 a 1966); Salgueiros (1966/67) |
| Seleção A | Internacional A; plantel do Mundial de 1966 |
| Títulos principais | 4 campeonatos, 2 Taças de Portugal e 2 Taças dos Campeões Europeus pelo Benfica |
As épocas contam do ano em que começaram. Os títulos são os do Benfica entre 1960/61 e 1964/65.
Como começou Germano?
Germano de Figueiredo nasceu e cresceu em Alcântara, o bairro operário de Lisboa onde a fusão do Carcavelinhos com o União Foot-ball Lisboa tinha dado origem, em 1942, ao Atlético Clube de Portugal. Entrou na formação do clube em 1947, com 14 anos, e chegou à equipa principal no início dos anos de 1950.
O Atlético que o recebeu tinha sido um clube de grandes momentos: chegara a duas finais da Taça de Portugal, em 1945/46 e 1948/49, e perdido ambas, e foi 3.º no campeonato duas vezes. Quando Germano subiu à equipa principal, o clube jogava no Estádio da Tapadinha, em Alcântara, e Germano passou a defesa-central, o lugar em que ficou na história.
O Estádio da Tapadinha, o campo do Atlético, foi herdado do Carcavelinhos em 1942 e remodelado em 1945. Nos anos de 1940, as famílias de operários das fábricas de Alcântara enchiam as bancadas ao domingo, e o campo tinha fama de ser difícil para os visitantes. Foi essa a escola de Germano.
Foi no Atlético que chegou a internacional, antes de ir para a Luz. O clube ganhou a Segunda Divisão em 1958/59, uma das três vezes em que o fez. Em 1960, com 27 anos, o Benfica foi buscá-lo.
Que clubes marcaram a carreira?
Dois clubes definem Germano. O Atlético, onde passou treze anos, da formação à equipa principal, e o Benfica, onde se tornou campeão da Europa. É um percurso raro no futebol português: um jogador criado num clube de bairro que, a meio da vida, chega ao melhor clube do país e o ajuda a ganhar a Europa.
| Clube | Épocas | Títulos |
|---|---|---|
| Atlético | 1947 a 1960 | Segunda Divisão 1958/59 |
| Benfica | 1960 a 1966 | 4 campeonatos, 2 Taças de Portugal, 2 Taças dos Campeões Europeus |
O Atlético recorda-o até hoje: desde 2018, o Atlético e o Benfica disputam um torneio com o nome do defesa de Alcântara, o Troféu Germano Figueiredo.
O que ganhou Germano?
No Benfica, Germano ganhou quatro campeonatos nacionais, duas Taças de Portugal e duas Taças dos Campeões Europeus. Os campeonatos foram os de 1960/61, 1962/63, 1963/64 e 1964/65; as Taças de Portugal, as de 1961/62 e 1963/64; as Taças dos Campeões, as de 1960/61 e 1961/62.
| Título | Épocas |
|---|---|
| Campeonato nacional | 1960/61, 1962/63, 1963/64, 1964/65 |
| Taça de Portugal | 1961/62, 1963/64 |
| Taça dos Campeões Europeus | 1960/61, 1961/62 |
A primeira época de Germano na Luz, a de 1960/61, foi também a da primeira Taça dos Campeões: o Benfica somou 46 pontos no campeonato, quatro à frente do Sporting, com 92 golos marcados e apenas 21 sofridos, e ganhou a Europa em Berna.
Em 1963/64 o Benfica fez a dobradinha de campeonato e Taça de Portugal, com 46 pontos e 103 golos em 26 jogos e um 6–2 ao FC Porto na final da Taça. Em 1961/62 o campeão nacional foi o Sporting, mas o Benfica ganhou a Taça de Portugal, por 3–0 ao Vitória FC, e a Taça dos Campeões. Os campeonatos de 1962/63 e de 1964/65 mostram a regularidade: 48 pontos, seis acima do FC Porto, na primeira; 43 pontos, contra 37 do FC Porto, na segunda.
Como foi Germano nas finais europeias?
A Taça dos Campeões é o capítulo mais forte da carreira de Germano. O caminho até Berna, em 1961, passou pelo Heart of Midlothian (5–1 no conjunto), pelo Újpest (7–4, com uma derrota por 1–2 em Budapeste), pelo AGF Aarhus (7–2) e pelo Rapid de Viena (4–1). O Benfica marcou 23 golos em oito jogos e sofreu oito.
A final foi a 31 de maio de 1961, em Berna, e o Benfica de Guttmann ganhou por 3–2 ao Barcelona. Germano foi o defesa-central do onze, ao lado de Costa Pereira na baliza, Mário João e Ângelo Martins. Águas fez o 1–1, o autogolo do guarda-redes Ramallets o 2–1 e Coluna, aos 55 minutos, o 3–2; Czibor reduziu aos 75 e o Benfica tornou-se o primeiro clube português campeão da Europa. A final está contada em pormenor.
Um ano depois, a 2 de maio de 1962, em Amesterdão, Germano voltou a ser titular da defesa na vitória por 5–3 sobre o Real Madrid, apesar dos três golos de Puskás. O Benfica perdia por 0–2 e depois por 2–3 e virou o jogo na segunda parte. Foram cinco golos num jogo e oito no outro, e nos dois a defesa teve de aguentar a pressão do adversário.
A final de 1965, a 27 de maio, em San Siro, foi diferente. O Inter marcou o único golo do jogo aos 42 minutos, depois de um remate de Jair que escapou das mãos de Costa Pereira. O guarda-redes lesionou-se pouco depois e, como não havia substituições, foi Germano quem passou para a baliza. O Benfica jogou mais de meia hora com dez jogadores no campo e perdeu por 1–0. Essa história está na página de Costa Pereira.
Que defesa foi a do Benfica de Germano?
Os números das campanhas europeias mostram o que a defesa de Germano valia. Em 1960/61, nas oito partidas até à final, o Benfica sofreu oito golos; em 1961/62, em sete jogos, contando a final, sofreu 11, e em 1964/65, em oito jogos, apenas seis, com 27 golos marcados. As tabelas seguintes juntam as eliminatórias das duas campanhas vencedoras.
| 1960/61 | Adversário | Global |
|---|---|---|
| Entrada em prova | Heart of Midlothian (Escócia) | 5–1 |
| Segunda eliminatória | Újpest (Hungria) | 7–4 |
| Quartos-de-final | AGF Aarhus (Dinamarca) | 7–2 |
| Meias-finais | Rapid de Viena (Áustria) | 4–1 |
| Final, Berna | Barcelona | 3–2 |
| 1961/62 | Adversário | Global |
|---|---|---|
| Primeira eliminatória | Áustria Viena (Áustria) | 6–2 |
| Quartos-de-final | 1. FC Nuremberga (Alemanha Ocidental) | 7–3 |
| Meias-finais | Tottenham Hotspur (Inglaterra) | 4–3 |
| Final, Amesterdão | Real Madrid | 5–3 |
A final de 22 de maio de 1963, em Wembley, foi a terceira seguida: com Fernando Riera no banco, o Benfica abriu o marcador com um golo de Eusébio aos 19 minutos, mas o Milan virou o resultado na segunda parte com dois golos de Altafini e ganhou por 2–1, a primeira Taça dos Campeões ganha por um clube italiano. A década está resumida nos anos de 1960.
Qual foi o papel na seleção?
Germano foi internacional ainda no Atlético, antes de chegar ao Benfica, e esteve no plantel do Mundial de 1966, em Inglaterra, onde Portugal ficou em terceiro lugar. O plantel de Otto Glória tinha, sobretudo, jogadores do Benfica e do Sporting: de um lado, Germano, Coluna, José Augusto, Torres, Simões e Eusébio; do outro, Hilário e outros nomes de Alvalade.
A campanha de 1966 está na página do Mundial de 1966: três vitórias no Grupo 3 (3–1 à Hungria, 3–0 à Bulgária e 3–1 ao Brasil), um 5–3 à Coreia do Norte nos quartos de final, uma derrota por 2–1 com a Inglaterra em Wembley, e a vitória por 2–1 sobre a União Soviética no jogo do terceiro lugar.
Que marcas deixou Germano?
- Defesa-central titular nas finais de 1961 e 1962, as duas primeiras Taças dos Campeões do futebol português.
- Guarda-redes improvisado na final de 1965, durante mais de meia hora, com o Benfica reduzido a dez.
- 4 campeonatos, 2 Taças de Portugal e 2 Taças dos Campeões pelo Benfica.
- Do Atlético ao Benfica: treze anos num clube de Alcântara antes de chegar à Luz.
- Plantel do Mundial de 1966, terceiro lugar.
Erros comuns
- «Germano era guarda-redes.» Não: foi defesa-central. Só na final de 1965 jogou na baliza, por necessidade.
- «Germano começou a carreira no Benfica.» Não: formou-se no Atlético, em Alcântara, e só em 1960 foi para a Luz.
- «Ganhou três Taças dos Campeões.» Ganhou duas, em 1961 e 1962. As finais de 1963 e de 1965 foram perdidas.
- «O Atlético ganhou o campeonato nacional.» Não: o Atlético nunca foi campeão nacional; o melhor lugar foi o 3.º, duas vezes.
Perguntas rápidas
Quando nasceu Germano?
A 23 de dezembro de 1932, em Alcântara.
De que clube veio para o Benfica?
Do Atlético, em 1960.
Quantas Taças dos Campeões ganhou?
Duas: 1961 e 1962.
Que posição ocupou na final de 1965?
Foi para a baliza, depois da lesão de Costa Pereira.
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Fontes
Verificado em 31/10/2026.