Final da Taça dos Campeões de 1965: Inter 1–0 Benfica
A final da Taça dos Campeões Europeus de 1964/65 jogou-se a 27 de maio de 1965, no estádio de San Siro, em Milão, a casa do Inter. O Benfica, treinado por Elek Schwartz e a jogar a sua quarta final em cinco épocas, perdeu por 1–0 com um golo de Jair, perto do intervalo, num relvado encharcado. O Inter de Helenio Herrera repetiu assim o título de 1964.
A final de 1965 em resumo
| Competição | Taça dos Campeões Europeus 1964/65 |
|---|---|
| Data | 27 de maio de 1965 |
| Estádio | San Siro, Milão (Itália) |
| Resultado | Inter 1–0 Benfica |
| Golos | Jair (Inter, perto do intervalo) |
| Treinadores | Helenio Herrera (Inter) e Elek Schwartz (Benfica) |
| Árbitro | Gottfried Dienst (Suíça) |
Foi a quarta final do Benfica em cinco épocas e a segunda derrota seguida da série, depois da de Wembley, em 1963. O clube tinha ganho as finais de 1961 e 1962 e chegava a Milão como campeão português de 1963/64. A lista dos títulos europeus dos clubes portugueses não inclui esta final, porque o Benfica a perdeu, mas ela faz parte do percurso europeu do clube.
Como chegou o Benfica à final de 1965?
O caminho do Benfica até Milão passou por quatro eliminatórias, todas ganhas com folga no resultado global. O jogo mais difícil foi o dos quartos-de-final, contra o Real Madrid, o clube que o Benfica tinha batido na final de 1962.
| Ronda | Adversário | Resultados | Global |
|---|---|---|---|
| Primeira ronda | Aris Bonnevoie (Luxemburgo) | 5–1 fora, 5–1 em casa | 10–2 |
| Segunda ronda | La Chaux-de-Fonds (Suíça) | 1–1 fora, 5–0 em casa | 6–1 |
| Quartos-de-final | Real Madrid (Espanha) | 5–1 em casa, 1–2 fora | 6–3 |
| Meias-finais | ETO Győr (Hungria) | 1–0 fora, 4–0 em casa | 5–0 |
No Luxemburgo, José Augusto Torres marcou quatro golos e Eusébio um, o que fez do primeiro jogo da prova uma goleada por 5–1. Na segunda mão, em Lisboa, o resultado repetiu-se. A eliminatória seguinte, com o La Chaux-de-Fonds, começou com um empate na Suíça e acabou com um 5–0 na Luz. O Real Madrid foi o teste de fogo: o Benfica ganhou por 5–1 em casa, com golos de José Augusto, de Eusébio (duas vezes), de Simões e de Coluna, e perdeu por 2–1 em Madrid, com um golo de Eusébio. Na meia-final, o ETO Győr nunca chegou a ameaçar a eliminatória: perdeu por 1–0 na Hungria, com um golo de José Augusto, e por 4–0 em Lisboa, com dois golos de Eusébio e dois de Torres. Em oito jogos, o Benfica marcou 27 golos e sofreu 6.
O Inter, por seu lado, chegou a Milão depois de eliminar o Liverpool nas meias-finais.
Como foi o jogo?
A final de 1965 foi um jogo curto de golos e longo de dificuldades. O relvado encharcado e pesado de San Siro obrigou as duas equipas a jogar de forma mais direta do que queriam, e o Benfica, que vivia do passe curto e do ritmo, foi o mais prejudicado. O Inter, que jogava em casa e já tinha a experiência de uma final ganha no ano anterior, geriu bem as dificuldades.
O golo da final chegou perto do intervalo. Jair, do Inter, marcou o único golo do jogo, e a UEFA resume a partida com uma frase curta: Jair fez a diferença. Na segunda parte, o Benfica procurou o empate, mas o Inter defendeu a vantagem e conquistou a segunda Taça dos Campeões seguida.
- Perto do intervalo: Jair marca e o Inter passa a ganhar por 1–0.
- Segunda parte: o Benfica ataca, mas não consegue o empate.
- Final: o Inter ganha por 1–0 e repete o título de 1964.
Quem jogou?
Inter (treinador: Helenio Herrera)
| Posição | Jogadores |
|---|---|
| Guarda-redes | Giuliano Sarti |
| Defesas | Tarcisio Burgnich, Giacinto Facchetti, Aristide Guarneri, Armando Picchi (capitão) |
| Médios | Gianfranco Bedin, Mario Corso |
| Avançados | Jair, Sandro Mazzola, Joaquín Peiró, Luis Suárez |
O Benfica de Elek Schwartz tinha Mário Coluna como capitão e a frente de ataque habitual, com José Augusto Torres, José Augusto, Simões e Eusébio. Eusébio, que nesse ano ganhou a Bola de Ouro, é o jogador a conhecer na página sobre Eusébio.
O contexto: o que estava em jogo?
Em 1965, a Taça dos Campeões Europeus era ainda uma prova a eliminar, com campeões nacionais e o detentor do troféu, e o Inter era os dois ao mesmo tempo: campeão italiano e campeão europeu em título. O Benfica entrava como campeão português de 1963/64, uma época em que fez a dobradinha, como se vê na página da década de 1960.
Esta final também pôs frente a frente dois campeões europeus. O Inter de Herrera tinha ganho a edição de 1964 ao Real Madrid, em Viena, e queria confirmar-se como a nova potência do continente. O Benfica, a viver o fim do ciclo de Guttmann, esperava recuperar o troféu de 1961 e 1962. Ficou outra vez à porta: Wembley em 1963, San Siro em 1965.
Porque se jogou a final em San Siro?
A final da Taça dos Campeões era, por regra, um jogo único em campo neutro. Em 1965 não foi bem assim: a UEFA atribuiu a final ao estádio de San Siro, em Milão, que era a casa do Inter. O Benfica jogou assim contra o adversário no seu próprio estádio, diante de um público que lhe era contrário. O terreno também não ajudou o jogo de passes que a equipa portuguesa gostava de praticar: o relvado estava encharcado e pesado, o que travou o futebol rápido e curto que tinha dado ao Benfica as duas conquistas de 1961 e 1962.
O Inter chegava a San Siro como detentor do troféu. Tinha ganho a edição de 1963/64 em Viena, ao Real Madrid, e procurava o segundo título seguido, algo que só o Real Madrid e o próprio Benfica tinham conseguido antes. A final de 1965 acabou por pôr essa marca no Inter: foi a terceira equipa a vencer duas Taças dos Campeões consecutivas.
Como se comparava o Benfica de 1965 com o de 1962?
O Benfica de 1965 já não era o de Béla Guttmann. Guttmann tinha treinado as duas finais ganhas, e em 1965 o treinador era Elek Schwartz. Mas o eixo era o mesmo: Mário Coluna como capitão, José Augusto e Simões no ataque e, sobretudo, Eusébio, que em 1965 ganhou a Bola de Ouro e que marcou em quase todas as eliminatórias do caminho para Milão. Ao lado dele, José Augusto Torres foi o outro grande marcador: fez quatro golos só na primeira mão com o Aris.
O Inter era treinado por Helenio Herrera. Em San Siro, o jogo decidiu-se num único lance, perto do intervalo, e o resto da partida foi uma tentativa, do lado do Benfica, de recuperar o que a primeira parte lhe tinha tirado.
Quais foram as cinco finais perdidas pelo Benfica?
O Benfica jogou sete finais da Taça dos Campeões Europeus e ganhou as duas primeiras, em 1961 e 1962. As outras cinco perdeu-as: duas contra o Milan, uma contra o Inter, uma contra o Manchester United e uma contra o PSV Eindhoven. A tabela resume-as.
| Ano | Vencedor | Resultado para o Benfica | Estádio |
|---|---|---|---|
| 1963 | Milan | 1–2 | Wembley, Londres |
| 1965 | Inter | 0–1 | San Siro, Milão |
| 1968 | Manchester United | 1–4 (após prolongamento) | Wembley, Londres |
| 1988 | PSV Eindhoven | 0–0 (5–6 nos penáltis) | Neckarstadion, Estugarda |
| 1990 | Milan | 0–1 | Prater, Viena |
O que mudou depois?
O Benfica respondeu no campeonato: foi campeão nacional em 1964/65, o terceiro título consecutivo, e Eusébio recebeu a Bola de Ouro. Na Taça de Portugal, a época acabou mal, com uma derrota por 3–1 na final contra o Vitória FC (Setúbal). Na Europa, a final seguinte do Benfica na Taça dos Campeões chegou em 1968, também perdida, com o Manchester United, em Wembley. Quanto ao Inter, a final de 1965 deu-lhe a segunda Taça dos Campeões seguida. A última conquista do Benfica na prova continuava a ser a de 1962.
Perguntas rápidas
Quantas finais da Taça dos Campeões jogou o Benfica?
Sete: ganhou as de 1961 e 1962 e perdeu as de 1963, 1965, 1968, 1988 e 1990.
Que clubes venceram o Benfica nas finais?
O Milan (1963 e 1990), o Inter (1965), o Manchester United (1968) e o PSV Eindhoven (1988).
As finais perdidas contam para os títulos europeus?
Não: a lista de títulos regista apenas as finais ganhas, as de 1961 e 1962.
Qual foi o resultado da final de 1965?
Inter 1–0 Benfica.
Onde se jogou a final de 1965?
Em San Siro, no estádio do Inter, em Milão.
Quem marcou o golo da final?
Jair, do Inter, perto do intervalo.
Quem treinava o Benfica?
O belga Elek Schwartz.
Quem treinava o Inter?
Helenio Herrera.
Quem foi o árbitro?
O suíço Gottfried Dienst.
Que clube o Benfica eliminou nos quartos-de-final?
O Real Madrid, por 6–3 no conjunto.
Quantas finais tinha jogado o Benfica até 1965?
Quatro: 1961, 1962, 1963 e 1965.
Erros comuns
- «A final de 1965 foi num campo neutro.» Jogou-se em San Siro, o estádio do Inter.
- «O Benfica perdeu por muitos golos.» Perdeu por 1–0, com um golo perto do intervalo.
- «Guttmann ainda treinava o Benfica.» Em 1965 o treinador era Elek Schwartz.
- «O Benfica nunca tinha ganho a prova antes de 1965.» Tinha ganho as edições de 1961 e 1962.
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Fontes
- UEFA
- RSSSF (arquivo de resultados da Taça dos Campeões Europeus)
- Inter (arquivo do clube)
Verificado em 31/10/2026. Dados de outubro de 2026.