Final da Taça UEFA de 2003: FC Porto 3–2 Celtic
A final da Taça UEFA de 2002/03 jogou-se a 21 de maio de 2003, no Estádio Olímpico de Sevilha. O FC Porto, treinado por José Mourinho, venceu o Celtic por 3–2 após prolongamento, com dois golos de Derlei, um deles aos 115 minutos, e um de Alenichev. Henrik Larsson marcou duas vezes pelos escoceses. Foi o primeiro título de um clube português nesta prova.
A final de 2003 em resumo
| Competição | Taça UEFA 2002/03 (hoje Liga Europa) |
|---|---|
| Data | 21 de maio de 2003 |
| Estádio | Olímpico (La Cartuja), Sevilha (Espanha) |
| Resultado | Celtic 2–3 FC Porto (após prolongamento) |
| Golos | FC Porto: Derlei (45’+1 e 115′) e Alenichev. Celtic: Larsson (47′ e 57′) |
| Treinadores | José Mourinho (FC Porto) e Martin O’Neill (Celtic) |
| Árbitro | Ľuboš Micheľ (Eslováquia) |
| Público | 52.140 |
O FC Porto chegou a Sevilha como campeão nacional de 2002/03 e saiu de lá com a Taça UEFA, o terceiro troféu da época. A final de 2003 é a única de uma prova da UEFA decidida pela regra do golo de prata, e foi a que abriu a série de três títulos europeus do clube com José Mourinho e André Villas-Boas no banco. A lista dos títulos europeus portugueses inclui-a como o único título do país na Taça UEFA.
Como funcionava a Taça UEFA em 2002/03?
A Taça UEFA era a segunda competição europeia de clubes e juntava clubes bem classificados nos campeonatos nacionais, vencedores de taças e, a partir da primeira eliminatória, as equipas eliminadas nas pré-eliminatórias da Liga dos Campeões. Jogava-se por eliminatórias a duas mãos até à final, que era um único jogo em campo neutro. O Porto entrou na primeira eliminatória, como terceiro classificado de 2001/02; o Celtic, campeão escocês de 2001/02, entrou depois de cair nas pré-eliminatórias da Liga dos Campeões, e acabaria a época de 2002/03 em segundo no campeonato escocês, atrás do Rangers por diferença de golos.
Como o FC Porto chegou à final?
O Porto entrou na Taça UEFA na primeira eliminatória, como terceiro classificado do campeonato de 2001/02. Passou por seis eliminatórias, todas decididas nos dois jogos, e só uma, a dos quartos-de-final, exigiu prolongamento.
| Eliminatória | Adversário | Resultados | Global |
|---|---|---|---|
| Primeira | Polonia Varsóvia (Polónia) | 6–0 em casa, 0–2 fora | 6–2 |
| Segunda | Áustria Viena (Áustria) | 1–0 fora, 2–0 em casa | 3–0 |
| Terceira | Lens (França) | 3–0 em casa, 0–1 fora | 3–1 |
| Quarta | Denizlispor (Turquia) | 6–1 em casa, 2–2 fora | 8–3 |
| Quartos-de-final | Panathinaikos (Grécia) | Vitória no prolongamento da segunda mão | 2–1 |
| Meias-finais | Lazio (Itália) | 4–1 em casa, 0–0 fora | 4–1 |
A meia-final com a Lazio ficou na memória. O Porto ganhou por 4–1 no Estádio das Antas e confirmou em Roma, com um 0–0, a passagem à final. Frente ao Panathinaikos, nos quartos-de-final, a eliminatória foi decidida na segunda mão, no prolongamento.
O Celtic, de Glasgow, entrara na Taça UEFA depois de ter sido eliminado nas pré-eliminatórias da Liga dos Campeões. Eliminou o Sūduva da Lituânia (8–1 em casa, 2–0 fora), o Blackburn Rovers (1–0 e 2–0), o Celta de Vigo (1–0 em casa e 1–2 fora, passando pelos golos fora), o Estugarda (3–1 e 2–3), o Liverpool (1–1 em casa e 2–0 fora) e, nas meias-finais, o Boavista (1–1 e 1–0), o clube portuense que ficou assim à porta da final. Era a primeira final europeia do Celtic em 33 anos.
O caminho do Celtic foi sobretudo obra de Henrik Larsson: marcou três golos no 8–1 ao Sūduva, na primeira eliminatória, e dois ao Blackburn Rovers, na segunda, e acabou a prova com onze golos. Só Derlei, o avançado do Porto, marcou mais, com doze. A final de Sevilha opôs, assim, os dois melhores marcadores da Taça UEFA de 2002/03.
Como decorreu a final?
Derlei marcou o primeiro golo ao primeiro minuto de descontos da primeira parte e deu ao Porto a vantagem ao intervalo. A resposta do Celtic veio logo no início da segunda parte, aos 47 minutos, com um golo de Henrik Larsson, o avançado sueco. Alenichev voltou a colocar o Porto à frente, e Larsson empatou outra vez, aos 57 minutos, para o 2–2 com que a partida foi para o prolongamento.
Perto do fim do tempo suplementar, aos 115 minutos, Derlei marcou o 3–2. O prolongamento regia-se então pela regra do golo de prata: se uma equipa estivesse a ganhar no final da primeira parte do prolongamento (aos 105 minutos), o jogo acabava; caso contrário, jogava-se a segunda parte, e a equipa que estivesse à frente ao fim era a vencedora. O golo de Derlei foi o único que decidiu uma final de uma competição da UEFA por esta regra. Larsson terminou a prova com onze golos, menos um do que Derlei, que fechou com doze.
Quem jogou na final?
FC Porto (treinador: José Mourinho)
| N.º | Posição | Jogador |
|---|---|---|
| 99 | Guarda-redes | Vítor Baía |
| 22 | Defesa direito | Paulo Ferreira |
| 2 | Defesa central (capitão) | Jorge Costa |
| 4 | Defesa central | Ricardo Carvalho |
| 8 | Defesa esquerdo | Nuno Valente |
| 6 | Médio defensivo | Costinha |
| 15 | Médio | Dmitri Alenichev |
| 18 | Médio | Maniche |
| 10 | Médio ofensivo | Deco |
| 21 | Avançado | Capucho |
| 11 | Avançado | Derlei |
Celtic (treinador: Martin O’Neill)
| N.º | Posição | Jogador |
|---|---|---|
| 20 | Guarda-redes | Rab Douglas |
| 35 | Defesa central | Johan Mjällby |
| 6 | Defesa central | Bobo Baldé |
| 5 | Defesa central | Joos Valgaeren |
| 14 | Médio defensivo (capitão) | Paul Lambert |
| 17 | Médio direito | Didier Agathe |
| 19 | Médio | Stiliyan Petrov |
| 18 | Médio | Neil Lennon |
| 8 | Médio esquerdo | Alan Thompson |
| 9 | Avançado | Chris Sutton |
| 7 | Avançado | Henrik Larsson |
No Porto, Deco era o médio mais avançado e Derlei o melhor marcador da prova, com 12 golos. A equipa do Celtic tinha como pontas de lança Larsson e Sutton, e era treinada pelo norte-irlandês Martin O’Neill. A carreira do treinador do Porto em Portugal está na página sobre José Mourinho.
Que época foi esta para o FC Porto?
A época 2002/03 foi, em Portugal, a de uma dobradinha: o Porto foi campeão nacional (como se vê na lista dos campeões nacionais) e ganhou a Taça de Portugal, com um 1–0 ao União de Leiria na final, o que está registado no histórico da Taça. Com a Taça UEFA, a época foi a de um triplete, uma conta que a UEFA voltou a fazer quando André Villas-Boas repetiu o feito em 2011.
Os três títulos europeus do século XXI do FC Porto
| Ano | Competição | Final | Cidade | Treinador |
|---|---|---|---|---|
| 2003 | Taça UEFA | 3–2 ao Celtic (a.p.) | Sevilha | José Mourinho |
| 2004 | Liga dos Campeões | 3–0 ao Mónaco | Gelsenkirchen | José Mourinho |
| 2011 | Liga Europa | 1–0 ao Braga | Dublin | André Villas-Boas |
As outras duas finais estão contadas nas páginas da Liga dos Campeões de 2004 e da Liga Europa de 2011.
Porque se jogou em Sevilha?
O Estádio Olímpico de Sevilha, na Cartuja, foi inaugurado em 1999 e serviu de palco neutro. A final reuniu 52.140 espectadores.
O que veio depois?
Um ano depois de Sevilha, o Porto foi campeão europeu pela segunda vez, com a Liga dos Campeões de 2004: a final de Gelsenkirchen terminou 3–0 ao Mónaco. O Estádio do Dragão foi inaugurado a 16 de novembro de 2003, já com o Porto como detentor da Taça UEFA.
Perguntas rápidas
Quem ganhou a Taça UEFA em 2003?
O FC Porto, por 3–2 ao Celtic, após prolongamento.
Onde se jogou a final?
No Estádio Olímpico de Sevilha, a 21 de maio de 2003.
Quem marcou o golo da vitória?
Derlei, aos 115 minutos.
Quem treinava o FC Porto?
José Mourinho.
Quantos espectadores viram a final?
52.140.
Que adversário português eliminou o Celtic?
Nenhum: o Celtic eliminou o Boavista nas meias-finais.
Quem foi o árbitro?
O eslovaco Ľuboš Micheľ.
Quantos golos marcou Larsson?
Dois na final e onze em toda a prova.
Que regra decidiu o prolongamento?
A do golo de prata, que acabou com o golo de Derlei aos 115 minutos.
Erros comuns
- «O FC Porto ganhou a Liga Europa em 2003.» A prova chamava-se Taça UEFA; Liga Europa é o nome desde 2009/10.
- «A final foi decidida nos penáltis.» Foi decidida no prolongamento, por um golo de Derlei.
- «O Porto ganhou a Taça UEFA e a Liga dos Campeões no mesmo ano.» Ganhou a primeira em 2003 e a segunda em 2004.
- «Larsson marcou o golo da vitória.» Marcou dois golos pelo Celtic; o da vitória foi de Derlei.
- «A final de Sevilha foi decidida em tempo regulamentar.» Terminou 2–2 aos 90 minutos e só o prolongamento a decidiu.
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