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Taça Intercontinental: as participações de Benfica e FC Porto

Clubes portugueses jogaram a Taça Intercontinental em quatro edições: o Benfica perdeu em 1961, com o Peñarol, e em 1962, com o Santos; o FC Porto ganhou em 1987, ao Peñarol (2–1, após prolongamento, em Tóquio), e em 2004, ao Once Caldas (0–0 e 8–7 nos penáltis, em Yokohama). O saldo português é de duas vitórias e duas derrotas.

As participações portuguesas em resumo

EdiçãoClubeAdversárioResultadoVencedor
1961BenficaPeñarol (Uruguai)1–0, 0–5 e 1–2 no jogo de desempatePeñarol
1962BenficaSantos (Brasil)2–3 e 2–5Santos
1987FC PortoPeñarol (Uruguai)2–1 após prolongamentoFC Porto
2004FC PortoOnce Caldas (Colômbia)0–0, 8–7 nos penáltisFC Porto

A Taça Intercontinental opunha o vencedor da Taça dos Campeões Europeus (mais tarde Liga dos Campeões) ao campeão sul-americano. Não era uma prova da UEFA, e é por isso que a lista dos títulos europeus portugueses a trata em separado. Os dois clubes que a disputaram, o Benfica e o FC Porto, foram os únicos portugueses a chegar a ela, porque só eles ganharam a Taça dos Campeões Europeus.

Como funcionava a Taça Intercontinental?

A prova foi disputada entre 1960 e 2004. Nas primeiras edições, a decisão fazia-se a duas mãos, uma em cada continente, e o vencedor era determinado por pontos e não por golos marcados. Se cada equipa ganhasse um jogo, havia um jogo de desempate, normalmente disputado no campo do segundo jogo. Foi o que aconteceu com o Benfica em 1961. A partir de 1980 passou a jogar-se um único jogo no Japão, e foi assim que o FC Porto a disputou em 1987 e 2004. A última edição foi a de 2004; a prova foi depois substituída pelo Mundial de Clubes da FIFA.

Esta diferença de formato explica porque é que as participações do Benfica e do FC Porto são tão diferentes. O Benfica jogou sempre em duas mãos e teve de viajar para o outro lado do Atlântico; o FC Porto jogou sempre uma final única, num palco neutro e distante de ambos.

1961: Benfica e o Peñarol

O Benfica chegou à Taça Intercontinental de 1961 como campeão europeu em título, depois de ter ganho a primeira Taça dos Campeões Europeus, em Berna, sob a direção de Béla Guttmann. A final europeia está contada na página da final de 1961. O adversário era o Peñarol, de Montevideu, campeão sul-americano.

JogoDataLocalResultadoGolos
1.ª mão4 de setembro de 1961Estádio da Luz, LisboaBenfica 1–0 PeñarolColuna (60′)
2.ª mão17 de setembro de 1961Estádio Centenário, MontevideuPeñarol 5–0 BenficaSasía (10′, de penálti), Joya (19′, 28′), Spencer (42′, 58′)
Desempate19 de setembro de 1961Estádio Centenário, MontevideuPeñarol 2–1 BenficaSasía (5′), Eusébio (35′), Sasía (40′, de penálti)

O Benfica começou bem: na Luz, o médio Mário Coluna marcou ao minuto 60 e deu ao clube a vantagem para a segunda mão. Essa vantagem durou pouco mais de uma semana. Em Montevideu, o Peñarol ganhou por 5–0, com quatro golos ainda na primeira parte (4–0 ao intervalo). Como cada equipa tinha ganho um jogo, foi preciso um desempate, dois dias depois, no mesmo estádio.

No jogo de desempate, o Peñarol adiantou-se logo aos 5 minutos, por Sasía. Eusébio igualou aos 35 minutos, mas Sasía voltou a marcar, de penálti, antes do intervalo, aos 40. O resultado de 2–1 manteve-se até ao fim, e o Peñarol ficou com a taça. Sasía foi o grande nome da eliminatória, com três golos, e Spencer marcou dois na segunda mão.

Eusébio marcou no desempate e tornou-se, nos anos seguintes, a figura maior do clube. A perda da taça teve sabor amargo, porque o Benfica tinha ganho a primeira mão e perdeu as duas seguintes por 5–0 e 2–1.

1962: Benfica e o Santos de Pelé

Um ano depois, o Benfica voltou a ser campeão europeu, ao vencer o Real Madrid por 5–3 em Amesterdão, como conta a página da final de 1962. Era a vez de defrontar o Santos, campeão sul-americano, com Pelé no auge.

JogoDataLocalResultadoGolos
1.ª mão19 de setembro de 1962Maracanã, Rio de JaneiroSantos 3–2 BenficaPelé (31′, 85′), Coutinho (64′); Santana (58′, 87′)
2.ª mão11 de outubro de 1962Estádio da Luz, LisboaBenfica 2–5 SantosPelé (15′, 25′, 64′), Coutinho (48′), Pepe (77′); Eusébio (85′), Santana (89′)

O Benfica era treinado nessa altura por Fernando Riera, e o Santos por Lula. Na primeira mão, no Maracanã, o Santos abriu o marcador com um golo de Pelé aos 31 minutos. Santana igualou aos 58, Coutinho colocou de novo o Santos na frente aos 64, e Pelé fez o 3–1 aos 85. O Benfica ainda reduziu para 3–2 aos 87 minutos, mais uma vez por Santana, e saiu do Rio com a eliminatória aberta.

A segunda mão, em Lisboa, deu 73.000 espectadores na Luz e uma noite difícil. O Santos ganhou por 5–2, com um hat-trick de Pelé (aos 15, 25 e 64 minutos), um golo de Coutinho e outro de Pepe. Ao intervalo o resultado era já 0–2. Eusébio e Santana marcaram para o Benfica, ambos nos minutos finais. No conjunto, o Santos ganhou por 8–4 e, como venceu os dois jogos, não houve desempate.

Santana marcou três dos quatro golos do Benfica na eliminatória. Pelé marcou cinco dos oito golos do Santos, dois no Maracanã e três na Luz.

1987: o FC Porto e o Peñarol, na neve de Tóquio

Passados 25 anos, um clube português voltou à prova. O FC Porto tinha ganho a Taça dos Campeões Europeus de 1986/87 com Artur Jorge, como conta a página da final de Viena, e defrontou outra vez o Peñarol, desta vez num jogo único.

Data13 de dezembro de 1987
LocalEstádio Nacional, Tóquio
ResultadoFC Porto 2–1 Peñarol, após prolongamento (1–0 ao intervalo)
GolosFernando Gomes (42′), Viera (80′, Peñarol), Madjer (110′)
ÁrbitroFranz Wöhrer (Áustria)
Público45.000
Treinador do FC PortoTomislav Ivić

Caiu neve durante a partida. O FC Porto adiantou-se ainda antes do intervalo, com um golo de Fernando Gomes aos 42 minutos. O Peñarol igualou aos 80, por Viera, e o jogo foi para prolongamento. No segundo período extra, ao minuto 110, o argelino Rabah Madjer marcou o golo que deu ao FC Porto a vitória por 2–1.

Foi a primeira Taça Intercontinental de um clube português. O clube ganhou também a Supertaça Europeia desse ano, contada na página da Supertaça de 1987, e confirmou o que a página do clube descreve como a mudança de dimensão internacional do FC Porto.

2004: o FC Porto e o Once Caldas, nos penáltis

A última Taça Intercontinental jogou-se a 12 de dezembro de 2004, no Estádio Internacional de Yokohama, perante 45.748 espectadores. O FC Porto era campeão europeu em título, depois do triunfo de Gelsenkirchen, contado na página da final de 2004, e defrontou o colombiano Once Caldas, vencedor da Taça Libertadores. O árbitro foi o uruguaio Jorge Larrionda.

Data12 de dezembro de 2004
LocalEstádio Internacional de Yokohama
ResultadoOnce Caldas 0–0 FC Porto; nos penáltis, FC Porto 8–7
Treinador do FC PortoVíctor Fernández
Treinador do Once CaldasLuis Fernando Montoya
Público45.748

O treinador do FC Porto já não era José Mourinho, que tinha deixado o clube depois de ganhar a Liga dos Campeões, mas o espanhol Víctor Fernández. O onze foi Vítor Baía, Seitaridis, Jorge Costa, Pedro Emanuel, Ricardo Costa, Costinha, Maniche, Diego, Derlei, Luís Fabiano e McCarthy; Quaresma e Carlos Alberto entraram durante o jogo.

Nenhuma das equipas marcou nos 90 minutos nem no prolongamento. O jogo foi decidido na marcação de grandes penalidades, que o FC Porto ganhou por 8–7. Maniche foi considerado o melhor em campo. Na baliza portista estava Vítor Baía.

Que balanço tem o futebol português na prova?

Em quatro edições, o futebol português tem duas vitórias, ambas do FC Porto, e duas derrotas, ambas do Benfica. Com o Peñarol, o balanço é de um confronto de cada lado: o Benfica perdeu em 1961, o FC Porto ganhou em 1987. O Benfica jogou cinco partidas, marcou seis golos e sofreu quinze; o FC Porto jogou duas, ambas decididas depois dos 90 minutos, e nunca perdeu. Em 2004 a prova fechou com um clube português a levantar o troféu, tal como em 1987.

Perguntas rápidas

Quantas vezes jogaram clubes portugueses a Taça Intercontinental?

Quatro: Benfica em 1961 e 1962, FC Porto em 1987 e 2004.

Quem ganhou o FC Porto na final de 1987?

O Peñarol, por 2–1, após prolongamento, em Tóquio.

Quem marcou o golo decisivo em 1987?

Rabah Madjer, ao minuto 110.

Como se decidiu a Intercontinental de 2004?

Nos penáltis, depois de um 0–0 após prolongamento: FC Porto 8–7 Once Caldas.

Contra que equipas perdeu o Benfica?

Contra o Peñarol, em 1961, e contra o Santos, em 1962.

Quantos golos marcou Pelé ao Benfica?

Cinco em 1962: dois no Maracanã e três na Luz.

Onde se jogou a última Intercontinental?

No Estádio Internacional de Yokohama, a 12 de dezembro de 2004.

Erros comuns

  • «O Benfica ganhou a Taça Intercontinental.» Perdeu as duas que disputou, em 1961 e 1962.
  • «A Intercontinental conta como título europeu.» Opunha o campeão europeu ao sul-americano e não era organizada pela UEFA.
  • «Mourinho treinou o FC Porto em Yokohama.» Em 2004 o treinador era Víctor Fernández.
  • «O FC Porto ganhou ao Peñarol nos penáltis.» Em 1987 ganhou no prolongamento; os penáltis foram em 2004, contra o Once Caldas.
  • «A Intercontinental ainda existe.» Terminou em 2004 e foi substituída pelo Mundial de Clubes da FIFA.

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Fontes

Verificado em 31/10/2026. Dados de outubro de 2026.

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