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Taça Latina de 1950: o primeiro troféu internacional do Benfica

A Taça Latina de 1950 foi o primeiro troféu internacional do Benfica. Jogou-se em junho de 1950, no Estádio Nacional do Jamor, com quatro equipas: o Benfica eliminou a Lazio por 3–0 e defrontou o Bordeaux na final. O primeiro jogo acabou 3–3 após prolongamento; no desempate, o Benfica ganhou por 2–1, com golo de Julinho ao minuto 146.

A Taça Latina de 1950 em resumo

CompetiçãoTaça Latina 1950 (segunda edição da prova)
Datas10 a 18 de junho de 1950
LocalEstádio Nacional do Jamor, Oeiras (todos os jogos)
EquipasBenfica (Portugal), Bordeaux (França), Atlético de Madrid (Espanha), Lazio (Itália)
Meias-finaisBenfica 3–0 Lazio; Bordeaux 4–2 Atlético de Madrid
FinalBenfica 3–3 Bordeaux (após prolongamento)
Final, jogo de repetiçãoBenfica 2–1 Bordeaux (18 de junho, golo de ouro de Julinho, minuto 146)
Terceiro lugarAtlético de Madrid 2–1 Lazio
Treinador do BenficaTed Smith

Foi a primeira vez que o Benfica levantou um troféu fora das fronteiras nacionais. A prova decorreu em casa, em Lisboa, e o clube chegou a ela como campeão português. Mais de dez anos depois, os mesmos adeptos veriam o clube ganhar a Taça dos Campeões Europeus, mas a Taça Latina de 1950 foi o primeiro passo nesse caminho e é por isso que merece uma página própria.

O que era a Taça Latina?

A Taça Latina era uma competição entre os campeões nacionais de quatro países de língua e tradição latinas: Portugal, Espanha, França e Itália. Disputava-se a eliminar, numa só cidade e num só estádio, durante poucos dias de junho, depois de terminadas as ligas nacionais. A primeira edição, em 1949, foi ganha pelo Barcelona; a segunda, a de 1950, realizou-se em Portugal. A prova durou até 1957 e foi o antecessor direto das competições europeias de clubes, que só chegariam em 1955 com a Taça dos Campeões Europeus.

O formato era simples. Duas meias-finais, uma final e um jogo para o terceiro lugar. Como se jogava tudo no mesmo palco e em poucos dias, as equipas tinham de gerir o esforço de um torneio curto de verão, algo que explica por que razão o prolongamento e o jogo de repetição pesaram tanto na edição de 1950.

Que clubes jogaram em 1950?

Os quatro participantes de 1950 foram o Benfica, o Bordeaux, o Atlético de Madrid e a Lazio. O Benfica representava Portugal e jogava em casa; o Bordeaux, campeão francês, foi o seu adversário na final; o Atlético de Madrid e a Lazio ficaram com as outras duas vagas do quadro.

RondaJogoResultado
Meia-finalBenfica – Lazio3–0
Meia-finalBordeaux – Atlético de Madrid4–2
Terceiro lugarAtlético de Madrid – Lazio2–1
FinalBenfica – Bordeaux3–3, após prolongamento
Final (repetição)Benfica – Bordeaux2–1, após prolongamento

No total, o Benfica jogou três partidas em poucos dias: a meia-final com a Lazio, a final empatada e o jogo de repetição. Dois desses três jogos foram para prolongamento. É um percurso curto, mas exigente, porque a final de uma prova assim pode obrigar a disputar, em dias seguidos, mais de duas horas de futebol.

Como ganhou o Benfica a meia-final?

O Benfica entrou no torneio contra a Lazio, em Oeiras, e ganhou por 3–0. Foi uma vitória limpa, sem prolongamento e sem sobressaltos, que lhe deu o direito de esperar o vencedor do outro jogo. Esse vencedor foi o Bordeaux, que eliminou o Atlético de Madrid por 4–2. Assim se montou a final entre o campeão português e o campeão francês.

Como foi a final?

A final começou com o Benfica a marcar cedo. Arsénio abriu o marcador logo aos 3 minutos e Corona aumentou a vantagem mais tarde, na primeira parte, para 2–0. O Bordeaux reagiu ainda antes do intervalo: Doye marcou duas vezes e um terceiro golo francês, ao minuto 43, deu a vantagem aos visitantes por 3–2 no fim da primeira parte.

O Benfica empatou na segunda parte, com um golo de Pascoal, e o 3–3 manteve-se até ao fim do tempo regulamentar. Seguiu-se o prolongamento, que não desfez o empate. Sem penáltis para decidir, a final teve de ser repetida.

Como se resume o jogo em lances?

  • Minuto 3: Arsénio abre o marcador para o Benfica (1–0).
  • Primeira parte: Corona faz o 2–0 para o Benfica.
  • Antes do intervalo: o Bordeaux marca três golos, dois de Doye, e vira para 2–3 até ao minuto 43.
  • Segunda parte: Pascoal empata a 3–3.
  • Prolongamento: sem mais golos; a final fica empatada.

Como foi o jogo de repetição?

A final repetiu-se a 18 de junho de 1950, no mesmo Estádio Nacional. O Bordeaux voltou a marcar primeiro: Kargu abriu o marcador logo no início do jogo, por volta do minuto 8 ou 9. O Benfica foi atrás do resultado durante a maior parte do tempo regulamentar e só empatou perto do fim, através de Arsénio, que igualou a 1–1 por volta do minuto 90.

O prolongamento foi disputado com a regra da morte súbita, ou golo de ouro: ganhava quem marcasse primeiro. O golo decisivo veio de Julinho, ao minuto 146, e deu ao Benfica a vitória por 2–1 e a Taça Latina. Contando os dois jogos, o Benfica e o Bordeaux jogaram mais de quatro horas de futebol para decidir o vencedor, o que ajuda a perceber por que razão esta final ficou na memória do clube.

O melhor marcador do Benfica nas duas partidas da final foi Arsénio, que marcou no primeiro jogo e no de repetição. Julinho ficou com o golo mais importante da noite, o da vitória.

O que é um golo de ouro?

O golo de ouro, ou morte súbita, era uma regra de prolongamento em que o jogo terminava no momento em que uma das equipas marcava. Já não faz parte das leis do jogo, mas vigorou em várias competições do século XX e, mais tarde, no Mundial de 1998 e no Campeonato da Europa de 1996. Na Taça Latina de 1950, a regra foi aplicada no jogo de repetição da final: o golo de Julinho encerrou a partida de imediato, sem que o Bordeaux tivesse oportunidade de responder.

Porque é que a Taça Latina é importante para o Benfica?

A Taça Latina de 1950 marca o início da história internacional do Benfica. Antes dela, o clube tinha ganho competições nacionais, mas nunca uma prova com clubes de outros países. A conquista ajudou a definir a imagem de um clube que, nos anos seguintes, se tornaria uma das principais potências do futebol português. Os anos de 1950 trouxeram três campeonatos nacionais, e a década seguinte trouxe duas Taças dos Campeões Europeus; a página sobre os anos de 1950 conta esse período em detalhe.

Em termos de contagem, a Taça Latina não é um título da UEFA e não entra na lista dos títulos europeus. A lista dos títulos europeus portugueses começa em 1961, com a primeira Taça dos Campeões Europeus do Benfica, ganha em Berna sob a direção de Béla Guttmann. A prova de 1950 é um troféu internacional de clubes, mas pertence a uma geração anterior de competições, organizadas por federações e não pela UEFA, que ainda nem existia.

Para o Benfica, o troféu tem um valor especial pela circunstância de ter sido conquistado em casa, diante de adeptos portugueses. O Estádio Nacional acolheu todos os jogos do torneio e foi palco da primeira grande noite internacional do clube, mais de dez anos antes das duas Taças dos Campeões Europeus de 1961 e 1962.

Quem eram os protagonistas?

O treinador do Benfica era o inglês Ted Smith. Entre os jogadores que marcaram na final estavam Arsénio, Corona e Pascoal, e Julinho, o autor do golo de ouro. Do lado do Bordeaux destacaram-se Doye, que fez dois golos na primeira final, e Kargu, o autor do golo francês no jogo de repetição.

JogadorClubeGolos na final
ArsénioBenfica2 (um em cada jogo)
CoronaBenfica1
PascoalBenfica1
JulinhoBenfica1 (golo decisivo, minuto 146)
DoyeBordeaux2
KarguBordeaux1 (jogo de repetição)

Como se compara com as outras taças internacionais?

A Taça Latina, a Taça dos Campeões Europeus e a Taça Intercontinental são três provas diferentes, com formatos e organizadores distintos. A Taça Latina juntava campeões de quatro países do sul da Europa e jogava-se num único local. A Taça dos Campeões Europeus reuniu campeões de toda a Europa a partir de 1955/56, em eliminatórias a duas mãos. A Taça Intercontinental opunha o campeão europeu ao campeão sul-americano. Se queres comparar o Benfica de 1950 com os troféus que vieram depois, lê as páginas sobre a Taça Intercontinental e sobre os títulos europeus dos clubes portugueses.

Perguntas rápidas

Quem ganhou a Taça Latina de 1950?

O Benfica, que venceu o Bordeaux por 2–1 no jogo de repetição da final.

Onde se jogou?

No Estádio Nacional do Jamor, em Oeiras, onde se disputaram todos os jogos.

Qual foi o resultado do primeiro jogo da final?

3–3, após prolongamento.

Quem marcou o golo da vitória?

Julinho, ao minuto 146 do jogo de repetição, em morte súbita.

Quem foi o adversário do Benfica na meia-final?

A Lazio, derrotada por 3–0.

Quem treinava o Benfica?

O inglês Ted Smith.

Foi o primeiro troféu internacional do Benfica?

Sim. Foi a primeira prova com clubes de outros países que o clube ganhou.

A Taça Latina conta como título europeu?

Não. Não foi organizada pela UEFA e não entra na lista dos títulos europeus.

Erros comuns

  • «A Taça Latina foi ganha nos penáltis.» Não: foi decidida num segundo jogo, com um golo de ouro de Julinho.
  • «O Benfica ganhou a final logo no primeiro jogo.» A primeira final acabou 3–3; foi preciso repetir.
  • «A Taça Latina foi o primeiro título europeu do Benfica.» Os títulos europeus do clube, da UEFA, começam em 1961.
  • «A final foi em França ou em Espanha.» Jogou-se em Portugal, no Estádio Nacional.
  • «A Taça Latina foi ganha em 1949.» O Benfica ganhou a edição de 1950; a de 1949 foi do Barcelona.

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Fontes

  • RSSSF (arquivo da Taça Latina)
  • SL Benfica
  • A Bola (reportagem sobre o primeiro troféu internacional do Benfica)

Verificado em 31/10/2026. Dados de outubro de 2026.

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