Os selecionadores de Portugal: da estreia de 1921 a Roberto Martínez
O selecionador nacional é o treinador da Seleção A masculina de Portugal: escolhe os convocados, define o modelo de jogo e responde perante a Federação Portuguesa de Futebol. Ao longo da história passaram pelo cargo dezenas de treinadores. Os que mais marcaram os grandes torneios foram Luiz Felipe Scolari (2003–2008), Fernando Santos (2014–2022) e, desde 2023, Roberto Martínez. Este artigo organiza os nomes por épocas.
O que faz um selecionador nacional?
O selecionador é o responsável técnico da equipa principal. Ao contrário do treinador de um clube, não tem plantel próprio nem treina os jogadores todas as semanas: reúne-os em «estágios» ou «concentrações», aproveitando as janelas internacionais do calendário, e nos grandes torneios, que duram cerca de um mês. Por isso, a sua principal tarefa é escolher bem, organizar rapidamente uma ideia de jogo e gerir um grupo que vem de clubes diferentes, de campeonatos diferentes e, muitas vezes, de rivalidades diferentes.
A nomeação cabe à Federação Portuguesa de Futebol (FPF), que é também quem anuncia as saídas. Os contratos costumam estar ligados a um objetivo concreto, como a qualificação para um torneio, e a avaliação é feita sobretudo pelos resultados nas fases finais e nas qualificações. Os dados deste artigo foram verificados em outubro de 2026.
Quadro-resumo dos selecionadores em grandes torneios
A tabela reúne os selecionadores ligados às fases finais que o artigo sobre a história da seleção descreve. Indicam-se os períodos apenas quando estão confirmados; nos restantes casos associa-se o nome ao torneio.
| Selecionador | Período | Torneios dirigidos e resultado |
|---|---|---|
| Otto Glória | anos 1960 | Mundial de 1966: 3.º lugar |
| Fernando Cabrita | primeira metade dos anos 1980 | Euro 1984: meias-finais |
| José Torres | meados dos anos 1980 | Mundial de 1986: participação |
| António Oliveira | 1990s e 2000–2002 | Euro 1996: quartos de final; Mundial de 2002: fase de grupos |
| Humberto Coelho | 1998–2000 | Euro 2000: meias-finais |
| Luiz Felipe Scolari | 2003–2008 | Euro 2004: 2.º lugar; Mundial de 2006: 4.º lugar; Euro 2008: quartos de final |
| Carlos Queiroz | 2008–2010 | Mundial de 2010: oitavos de final |
| Paulo Bento | 2010–2014 | Euro 2012: meias-finais; Mundial de 2014: fase de grupos |
| Fernando Santos | 2014–2022 | Euro 2016: campeão; Liga das Nações 2019: campeão; Mundial de 2018, Euro 2020 e Mundial de 2022 |
| Roberto Martínez | desde 2023 | Euro 2024: quartos de final; Liga das Nações 2025: campeão; Mundial de 2026: oitavos de final |
Os primeiros tempos: da estreia de 1921 ao Mundial de 1966
Nas primeiras décadas, a seleção jogava poucos jogos por ano, quase todos particulares, e a figura do selecionador era diferente da atual. Era comum a equipa ser orientada por uma comissão ou por treinadores de clubes, e as escolhas dependiam muito da disponibilidade dos jogadores. O primeiro jogo de que há registo foi a 18 de dezembro de 1921, em Madrid, contra a Espanha.
O primeiro grande momento da equipa técnica chegou em 1966, quando a seleção, dirigida por Otto Glória, ficou em terceiro lugar no Campeonato do Mundo de Inglaterra, com Eusébio como melhor marcador do torneio. O ciclo ficou ligado a uma geração em que se destacavam jogadores do Benfica, como Mário Coluna e José Augusto, e do Sporting. Podes ler os pormenores no artigo sobre o Mundial de 1966.
Anos 1980 e 1990: regresso aos torneios
Depois de 1966, Portugal esteve ausente das grandes fases finais durante quase duas décadas. O regresso aconteceu no Campeonato da Europa de 1984, em França, com Fernando Cabrita no comando, e a equipa chegou às meias-finais. Em 1986, com José Torres, a seleção voltou a um Mundial, no México.
Nos anos 1990, o ciclo seguinte ficou associado a nomes como António Oliveira, que orientou a equipa no Euro 1996, em Inglaterra, onde Portugal foi eliminado nos quartos de final. Foi um período de transição entre a geração que ganhou torneios de juniores, a chamada Geração de Ouro, e a que viria a dominar o início do século.
2000 a 2002: Humberto Coelho e António Oliveira
Em 2000, sob a direção de Humberto Coelho, antigo internacional português, a seleção chegou às meias-finais do Campeonato da Europa, organizado pela Bélgica e pelos Países Baixos. No Mundial de 2002, na Coreia do Sul e no Japão, com António Oliveira, Portugal não passou da fase de grupos. A diferença entre os dois resultados mostra bem como o trabalho do selecionador é medido: a mesma geração de jogadores teve um torneio forte e outro frustrante.
A era Scolari (2003–2008)
Luiz Felipe Scolari, campeão do mundo com o Brasil em 2002, foi o primeiro selecionador estrangeiro com grande impacto na história recente da seleção portuguesa. Dirigiu a equipa entre 2003 e 2008 e levou-a a três fases finais seguidas. Esta fase tem artigo próprio: Scolari na seleção de Portugal.
De Queiroz a Paulo Bento (2008–2014)
Carlos Queiroz assumiu o comando em 2008 e levou a equipa ao Mundial de 2010, na África do Sul, onde Portugal foi eliminado nos oitavos de final pela Espanha. Seguiu-se Paulo Bento, entre 2010 e 2014. Com ele, Portugal chegou às meias-finais do Euro 2012, na Polónia e na Ucrânia, e foi eliminado pela Espanha nos penáltis, depois de um 0–0. No Mundial de 2014, no Brasil, a equipa não passou da fase de grupos.
A era Fernando Santos (2014–2022)
Fernando Santos foi o selecionador mais titulado: ganhou o Euro 2016 e a Liga das Nações de 2019. Esteve no cargo oito anos, o que é raro numa seleção, e acompanhou três grandes torneios depois do título. O percurso está no artigo Fernando Santos na seleção.
Roberto Martínez (desde 2023)
Roberto Martínez, treinador espanhol, foi anunciado como selecionador em janeiro de 2023, depois da saída de Fernando Santos, em dezembro de 2022. Sob o seu comando, Portugal chegou aos quartos de final do Euro 2024, ganhou a Liga das Nações de 2025, na final com a Espanha, e disputou o Mundial de 2026, em que foi eliminado nos oitavos de final, também pela Espanha. Os números e as datas dos torneios mais recentes mudam com frequência, por isso consulta o site da FPF para o estado atual (dados de outubro de 2026).
Que ideias se repetem nas várias épocas?
- Estabilidade ajuda. Os ciclos mais longos, como os de Scolari e de Fernando Santos, coincidiram com várias fases finais consecutivas.
- Os grandes torneios decidem-se por pormenores. Várias eliminações recentes, em 2012 e em 2024, aconteceram nos penáltis, depois de 0–0 no tempo regulamentar e no prolongamento.
- O selecionador pode ser estrangeiro. Scolari e Martínez mostram que o cargo não está reservado a portugueses.
Como ler a evolução dos resultados?
Quando se olha para a tabela, a primeira conclusão é que a seleção passou de participações pontuais, nas décadas de 1960 e 1980, para presença regular nas fases finais a partir de 2000. Essa mudança tem várias causas, entre elas o alargamento das fases finais, o desenvolvimento da formação em Portugal e a presença de jogadores portugueses nos grandes campeonatos europeus. O papel do selecionador é apenas uma parte da explicação, mas é a parte mais visível, porque é ele quem responde pelos resultados em cada torneio.
A segunda conclusão é que os resultados não se medem só pelo título. Um terceiro lugar, como em 1966, ou uma final perdida, como em 2004, têm um peso grande na memória coletiva. Por isso, as avaliações dos ciclos costumam combinar títulos, classificações finais e regularidade.
Como foram as qualificações e os torneios com cada formato?
Os formatos de competição mudaram ao longo do tempo. O Campeonato do Mundo passou a ter 32 seleções e, em 2026, 48, com uma nova ronda a seguir à fase de grupos. O Campeonato da Europa tem hoje 24 seleções. A Liga das Nações, criada pela UEFA, foi disputada pela primeira vez em 2018/19 e junta as seleções em ligas por nível. Para o selecionador, isto significa mais jogos oficiais e menos jogos particulares, e obriga a gerir melhor o plantel durante a época.
O papel da equipa técnica
O selecionador trabalha com adjuntos, treinadores de guarda-redes, preparadores físicos, analistas, médicos e fisioterapeutas. A FPF coordena esse trabalho no Centro de Estágios da Cidade do Futebol, em Oeiras, onde a seleção costuma concentrar-se antes dos jogos em Portugal. A equipa técnica acompanha os jogadores nos clubes e prepara cada jogo com análise do adversário.
Que fontes usar para acompanhar a seleção?
Para confirmar convocatórias, resultados e nomeações, o ponto de partida é o site oficial da Federação Portuguesa de Futebol. Para os resultados em grandes torneios, os sites da UEFA e da FIFA têm o histórico de cada edição, com jogos, marcadores e classificações. Quando um artigo ou uma publicação indicar um período de funções ou um resultado, convém comparar com estas fontes.
Perguntas rápidas
Quem foi o selecionador do Euro 2016?
Fernando Santos.
Quem era o selecionador no Euro 2004?
Luiz Felipe Scolari.
Quem foi o selecionador no terceiro lugar do Mundial de 1966?
Otto Glória.
Quem é o selecionador desde 2023?
Roberto Martínez.
Quem escolhe o selecionador?
A Federação Portuguesa de Futebol.
Erros comuns
- «O selecionador treina a equipa todos os dias.» Não: só tem os jogadores durante os estágios e os torneios.
- «Scolari foi o selecionador campeão da Europa.» Não: perdeu a final do Euro 2004. O título europeu foi com Fernando Santos, em 2016.
- «Só portugueses podem ser selecionadores.» Não: Scolari é brasileiro e Martínez é espanhol.
Testa o que aprendeste
Mais perguntas sobre a seleção no Quiz.
Fontes
Verificado em 31/10/2026.