Carlos Queiroz: dois Mundiais sub-20, Real Madrid e cinco Mundiais
Carlos Queiroz, nascido em Nampula (Moçambique) a 1 de março de 1953, treinou os sub-20 portugueses campeões do mundo em 1989 e 1991, foi selecionador da Seleção A de 1991 a 1993 e de novo até ao Mundial de 2010, orientou o Sporting, o Real Madrid e várias seleções, e foi adjunto de Alex Ferguson no Manchester United, onde ganhou a Liga dos Campeões de 2007/08.
Carlos Queiroz em resumo
| Nome completo | Carlos Manuel Brito Leal Queiroz |
|---|---|
| Nascimento | 1 de março de 1953, em Nampula (Moçambique) |
| Formação | Licenciado em Educação Física, com especialização em futebol |
| Como jogador | Guarda-redes do Ferroviário de Moçambique |
| Títulos mundiais sub-20 | 1989 (Arábia Saudita) e 1991 (Portugal) |
| Seleção A de Portugal | De 4 de setembro de 1991 a 17 de novembro de 1993 e, mais tarde, até ao Mundial de 2010 |
| Clubes como treinador principal | Sporting, MetroStars, Nagoya Grampus Eight, Real Madrid |
| Mundiais como treinador | 2010 com Portugal; 2014, 2018 e 2022 com o Irão; 2026 com o Gana |
Como começou a carreira de treinador?
Queiroz nasceu em Moçambique, formou-se em Educação Física e foi guarda-redes no Ferroviário de Moçambique antes de se dedicar ao treino. Na época 1981/82 orientou os infantis do Olivais e, em 1982/83, os infantis e iniciados do Belenenses. Foi adjunto do Estoril em 1983/84, com Mário Wilson, e adjunto da Seleção Nacional de juniores de 1984/85 a 1986/87, com José Augusto.
A carreira em Portugal começou nas camadas jovens: Queiroz chegou à Seleção A depois de dez anos a trabalhar com jogadores muito novos.
O que ganhou com as seleções jovens?
De 1987/88 a 1990/91 dirigiu as seleções nacionais jovens. Os resultados desses quatro anos foram:
- vice-campeão europeu de sub-16 em 1988, em Espanha;
- vice-campeão europeu de sub-18 em 1988, na Checoslováquia, e em 1990, na Hungria;
- campeão europeu de sub-16 em 1989, na Dinamarca;
- terceiro lugar no Mundial de sub-16 de 1989, na Escócia;
- campeão do mundo de juniores em 1989, na Arábia Saudita, e em 1991, em Portugal.
Os dois títulos mundiais de sub-20 deram nome à Geração de Ouro: a final de 1989 foi ganha à Nigéria por 2–0, em Riade, e a de 1991 foi decidida nos penáltis (4–2), depois de 0–0 com o Brasil, no Estádio da Luz. A página dedicada a esse grupo conta os jogos e os nomes. Aqui interessa o treinador: foi o mesmo, nos dois torneios.
Como foi o primeiro mandato na Seleção A?
Depois do Mundial de 1991, Queiroz subiu à Seleção A. Foi selecionador de 1991/92 a 1993/94, entre 4 de setembro de 1991 e 17 de novembro de 1993. O primeiro jogo foi um particular com a Áustria (1–1), no Porto; o último foi a 0–1 com a Itália, em Milão, em jogo do Mundial de 1994 (qualificação). No total dirigiu 23 jogos: 10 vitórias, 8 empates e 5 derrotas, com 28 golos marcados e 14 sofridos.
Dos 23 jogos, 13 foram oficiais (8 vitórias, 2 empates, 3 derrotas, 20–6 em golos) e 10 foram particulares (2 vitórias, 6 empates, 2 derrotas, 8–8). Em casa jogou 11 vezes (7 vitórias, 3 empates, 1 derrota, 20–5), fora 9 vezes (2 vitórias, 4 empates, 3 derrotas, 6–6) e em campo neutro 3 vezes (1 vitória, 1 empate, 1 derrota, 2–3). Os números mostram uma equipa muito forte em Portugal e mais fraca como visitante.
| Data | Jogo | Resultado (Portugal primeiro) | Local |
|---|---|---|---|
| 04/09/1991 | Áustria (particular) | 1–1 | Porto |
| 11/09/1991 | Finlândia (Europeu) | 1–0 | Porto |
| 12/10/1991 | Luxemburgo (particular) | 1–1 | Luxemburgo |
| 16/10/1991 | Países Baixos (Europeu) | 0–1 | Roterdão |
| 20/11/1991 | Grécia (Europeu) | 1–0 | Lisboa |
| 15/01/1992 | Espanha (particular) | 0–0 | Torres Novas |
| 12/02/1992 | Países Baixos (particular) | 2–0 | Faro |
| 31/05/1992 | Itália (particular) | 0–0 | New Haven |
| 04/06/1992 | Estados Unidos (particular) | 0–1 | Chicago |
| 07/06/1992 | Irlanda (particular) | 0–2 | Massachusetts |
| 02/09/1992 | Áustria (particular) | 1–1 | Linz |
| 14/10/1992 | Escócia (Mundial) | 0–0 | Glasgow |
| 11/11/1992 | Bulgária (particular) | 2–1 | Paris |
| 24/01/1993 | Malta (Mundial) | 1–0 | La Valeta |
| 10/02/1993 | Noruega (particular) | 1–1 | Faro |
| 24/02/1993 | Itália (Mundial) | 1–3 | Porto |
| 31/03/1993 | Suíça (Mundial) | 1–1 | Berna |
| 28/04/1993 | Escócia (Mundial) | 5–0 | Lisboa |
| 19/06/1993 | Malta (Mundial) | 4–0 | Porto |
| 05/09/1993 | Estónia (Mundial) | 2–0 | Tallinn |
| 13/10/1993 | Suíça (Mundial) | 1–0 | Porto |
| 10/11/1993 | Estónia (Mundial) | 3–0 | Lisboa |
| 17/11/1993 | Itália (Mundial) | 0–1 | Milão |
A tabela mostra um mandato com duas fases. Em 1991 e 1992 houve a qualificação para o Europeu e jogos particulares, incluindo a derrota com os Países Baixos, em Roterdão, a 16 de outubro de 1991. Em 1993, na qualificação para o Mundial, Portugal ganhou 5–0 à Escócia e 4–0 a Malta, mas perdeu em casa com a Itália (1–3) e, no último jogo, em Milão, perdeu 0–1: a Itália passou, Portugal não. O Mundial de 1994 foi jogado sem a seleção portuguesa.
O que fez Queiroz no Sporting?
Queiroz treinou o Sporting de 1993/94 a 1995/96. Na Primeira Divisão orientou a equipa em 80 jogos: 52 vitórias, 18 empates e 10 derrotas, com 157 golos marcados e 60 sofridos. Contando só dois pontos por vitória, são 122 pontos, 76,3% dos possíveis. As taças portuguesas foram o troféu da sua passagem:
- 1993/94: 7 jogos (4 vitórias, 2 empates, 1 derrota; 14–5) e uma final da Taça de Portugal;
- 1994/95: 6 jogos (5 vitórias, 1 empate; 17–1) e a Taça de Portugal ganha;
- 1995/96: 4 jogos (4 vitórias; 10–3) e as meias-finais.
A Supertaça de 1994/95 ficou ligada ao seu nome, mas só em parte: Queiroz dirigiu os dois primeiros jogos (0–0 em casa e 2–2 nas Antas) e o desempate foi ganho por 3–0, em Paris, a 30 de abril de 1996, já com Octávio Machado no banco. Daí a nota de rodapé nas estatísticas oficiais.
O Sporting de Queiroz também é lembrado pelos jogos grandes e pelos jogadores de fora: o búlgaro Krasimir Balakov, que jogou em Alvalade sob a sua orientação, chamou-lhe «visionário». Num Sporting–Benfica de 14 de maio de 1994, o Benfica ganhou por 6–3: é um dos jogos que ficam na memória da época. Mais sobre o clube na página do Sporting.
Que clubes e seleções treinou fora de Portugal?
Depois de sair do Sporting, Queiroz foi treinador principal do New York/New Jersey MetroStars (1996), nos Estados Unidos, e do Nagoya Grampus Eight (1997), no Japão, com a Supertaça do Japão em 1997. Foi selecionador dos Emirados Árabes Unidos em 1999 e da África do Sul de 2000 a 2002; com os sul-africanos qualificou-se para o Mundial de 2002, na Coreia do Sul e no Japão.
Em 2003/04 foi treinador principal do Real Madrid e ganhou a Supertaça de Espanha.
O que ganhou como adjunto de Ferguson no Manchester United?
Queiroz foi adjunto de Alex Ferguson no Manchester United em 2002/03 e de 2004/05 a 2007/08. Como adjunto, ganhou três campeonatos de Inglaterra (2002/03, 2006/07 e 2007/08), a Supertaça inglesa (2002/03), a Taça da Liga inglesa (2005/06) e a Liga dos Campeões (2007/08).
Como foi a segunda passagem pela seleção portuguesa?
Depois do Euro 2008, a Federação Portuguesa de Futebol escolheu Queiroz para suceder a Luiz Felipe Scolari. Portugal não se apurou diretamente para o Mundial de 2010: acabou em segundo lugar no grupo e teve de jogar um play-off com a Bósnia e Herzegovina, que ganhou por 2–0 no conjunto das duas mãos.
Na África do Sul, Portugal ficou no Grupo G, com Brasil, Costa do Marfim e Coreia do Norte. Empatou 0–0 com a Costa do Marfim, a 15 de junho, em Port Elizabeth; ganhou 7–0 à Coreia do Norte, a 21 de junho, na Cidade do Cabo, com dois golos de Tiago e golos de Raul Meireles, Simão, Hugo Almeida, Liédson e Cristiano Ronaldo; e empatou 0–0 com o Brasil, a 25 de junho, em Durban. Nos oitavos de final perdeu 0–1 com a Espanha, golo de David Villa aos 63 minutos, a 29 de junho, na Cidade do Cabo. Portugal só sofreu um golo em todo o torneio, o único que acabou por pesar. Mais pormenores no artigo do Mundial de 2010.
Que Mundiais treinou, e com que seleções?
Queiroz está entre os treinadores com mais Mundiais: dirigiu Portugal em 2010 e o Irão em 2014, 2018 e 2022, e vai ao Mundial de 2026 como selecionador do Gana, o quinto da carreira. Em 2023 foi anunciado como selecionador do Catar e, em 2025, de Omã. A contagem de cinco Mundiais refere só as fases finais já referidas. A lista dos selecionadores mostra onde se situa o seu mandato na história da seleção.
Como se resume a carreira de Queiroz em números?
Dois títulos mundiais de sub-20 (1989 e 1991), um título europeu de sub-16 (1989), 23 jogos na Seleção A no primeiro mandato, 80 jogos na Primeira Divisão pelo Sporting, uma Taça de Portugal (1994/95), a Supertaça do Japão (1997), a Supertaça de Espanha (2003/04) e, como adjunto, três campeonatos ingleses e uma Liga dos Campeões. Cinco Mundiais como selecionador, de 2010 a 2026. Pode ler a lista de treinadores para o contexto com outros nomes da história.
Perguntas rápidas
Onde nasceu Carlos Queiroz?
Em Nampula, em Moçambique, a 1 de março de 1953.
Que títulos mundiais ganhou com os sub-20?
Dois: em 1989, na Arábia Saudita, e em 1991, em Portugal.
Foi selecionador de Portugal quantas vezes?
Duas: de 1991 a 1993 e, depois do Euro 2008, até ao Mundial de 2010.
Ganhou a Liga dos Campeões?
Sim, em 2007/08, como adjunto de Alex Ferguson no Manchester United.
Treinou o Real Madrid?
Sim, em 2003/04, e ganhou a Supertaça de Espanha.
Que Mundiais fez como selecionador?
Portugal em 2010, Irão em 2014, 2018 e 2022, e Gana em 2026.
Erros comuns
- «Queiroz levou Portugal ao título europeu de 2016.» Não: o selecionador em 2016 foi Fernando Santos. Queiroz foi o treinador dos sub-20 campeões do mundo em 1989 e 1991.
- «Queiroz ganhou a Liga dos Campeões como treinador principal.» Não: ganhou-a em 2007/08 como adjunto de Alex Ferguson.
- «Queiroz só foi selecionador uma vez.» Não: foi selecionador de Portugal de 1991 a 1993 e de novo até 2010.
- «Portugal esteve no Mundial de 1994.» Não: perdeu em Milão com a Itália, a 17 de novembro de 1993, e ficou de fora.
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Verificado em 01/11/2026. Dados de novembro de 2026.