Sven-Göran Eriksson: treinador do Benfica campeão três vezes
Sven-Göran Eriksson, sueco nascido em 1948 e falecido em 2024, treinou o Benfica em duas passagens, de 1982 a 1984 e de 1989 a 1992. Ganhou os campeonatos de 1982/83, 1983/84 e 1990/91, a Taça de Portugal de 1982/83 e a Supertaça de 1989, e perdeu a final da Taça UEFA de 1983 e a da Taça dos Campeões Europeus de 1990.
Sven-Göran Eriksson em resumo
| Nome | Sven-Göran Eriksson |
|---|---|
| Nascimento | 1948, Suécia |
| Morte | 26 de agosto de 2024, com 76 anos |
| Clube em Portugal como treinador | Benfica (1982 a 1984 e 1989 a 1992) |
| Campeonato nacional | 3 (Benfica, 1982/83, 1983/84 e 1990/91) |
| Taça de Portugal | 1 (Benfica, 1982/83, 1–0 ao FC Porto) |
| Supertaça | 1 (Benfica, 1989, 4–0 ao Belenenses no conjunto dos dois jogos) |
| Finais europeias | Taça UEFA 1982/83 (derrota com o Anderlecht); Taça dos Campeões Europeus 1989/90 (derrota com o Milan) |
| Antes e depois | IFK Göteborg (Taça UEFA de 1982); Roma, Fiorentina e Sampdoria |
Os números são os das listas de campeões nacionais e da Taça de Portugal. Eriksson dirigiu o Benfica em duas finais europeias, a da Taça UEFA de 1983 e a da Taça dos Campeões de 1990.
De onde veio Eriksson quando chegou ao Benfica?
Eriksson chegou a Lisboa em 1982, com 34 anos. Vinha do IFK Göteborg, o clube sueco com que tinha ganho a Taça UEFA de 1982, ao vencer o Hamburgo na final. Era um treinador sem passado em Portugal, e o Benfica, que tinha perdido o campeonato de 1981/82 para o Sporting, apostou nele para voltar aos títulos.
O que ganhou na primeira passagem, de 1982 a 1984?
Logo na primeira época, 1982/83, o Benfica fez a dobradinha: ganhou o campeonato e a Taça de Portugal, com um 1–0 ao FC Porto na final. Na época seguinte, 1983/84, repetiu o campeonato. Eriksson saiu em 1984 para a Roma, com dois campeonatos seguidos em dois anos.
| Época | Campeão nacional | Taça de Portugal (vencedor, finalista, resultado) | Melhor marcador do campeonato |
|---|---|---|---|
| 1982/83 | Benfica | Benfica, FC Porto, 1–0 | Fernando Gomes (FC Porto, 36) |
| 1983/84 | Benfica | FC Porto, Rio Ave, 4–1 | Fernando Gomes (FC Porto) e Nené (Benfica), 21 cada |
As duas épocas mostram um Benfica que dominava o campeonato mesmo quando o melhor goleador era do FC Porto: em 1982/83 Fernando Gomes marcou 36 golos, e o título foi na mesma para a Luz. Entre os jogadores do plantel estavam Manuel Bento, Humberto Coelho, Carlos Manuel, Diamantino, João Alves, Shéu, Chalana e Nené. Humberto Coelho, central do clube de 1977 a 1984, ganhou oito campeonatos pelo Benfica, como conta a página de Humberto Coelho.
O primeiro sueco do clube chegou também nesta época: Glenn Strömberg veio do Göteborg em janeiro de 1983, estreou-se a 5 de fevereiro desse ano, num 1–1 com o Vitória de Setúbal, e ganhou os dois campeonatos e a Taça de 1982/83.
Como perdeu o Benfica a final da Taça UEFA de 1983?
O caminho até à final passou por cinco países e por cinco eliminatórias:
| Eliminatória | Adversário | Resultado global |
|---|---|---|
| Primeira | Real Betis (Espanha) | 4–2 |
| Segunda | Lokeren (Bélgica) | 4–1 |
| Terceira | FC Zürich (Suíça) | 5–1 |
| Quartos de final | Roma (Itália) | 3–2 |
| Meias-finais | Universitatea Craiova (Roménia) | 1–1, passou pelos golos fora |
A decisão foi a final da Taça UEFA de 1982/83, contra o Anderlecht, a duas mãos. A 4 de maio de 1983, em Bruxelas, o Anderlecht ganhou por 1–0, com um golo de Brylle; a 18 de maio, na Luz, o jogo acabou 1–1. O Anderlecht ganhou por 2–1 no conjunto e levantou a taça. A final é contada em pormenor na página da final da Taça UEFA de 1983.
Em 1983/84 o Benfica competiu na Taça dos Campeões Europeus como campeão e foi eliminado nos quartos de final pelo Liverpool. Foi o fim da primeira passagem de Eriksson, que deixou o clube nesse verão.
Porque voltou Eriksson em 1989?
Depois de cinco anos em Itália, na Roma e na Fiorentina, Eriksson voltou ao Benfica em 1989. Trazia consigo dois jogadores suecos, Mats Magnusson, que já estava no clube desde 1987, e Jonas Thern, que se estreou a 26 de agosto de 1989 em Guimarães, num 1–1; no ano seguinte, em 1990, chegou Stefan Schwarz. Magnusson tornou-se o melhor marcador do campeonato de 1989/90, com 33 golos, valor que fechou a década como o segundo mais alto, a seguir aos 39 de Fernando Gomes em 1984/85.
A primeira conquista da segunda passagem foi a Supertaça de 1989, ganha ao Belenenses por 4–0 no conjunto dos dois jogos, depois de o Benfica ter ganho o campeonato de 1988/89 e o Belenenses a Taça, como se vê na tabela da Supertaça.
Como chegou o Benfica à final de 1990?
Na Taça dos Campeões Europeus de 1989/90, o Benfica passou por quatro adversários e perdeu um só jogo, a primeira mão da meia-final.
| Ronda | Adversário | Resultado global |
|---|---|---|
| Primeira ronda | Derry City (Irlanda) | 6–1 |
| Segunda ronda | Honvéd (Hungria) | 9–0 |
| Quartos de final | Dnipro (União Soviética) | 4–0 |
| Meias-finais | Marselha (França) | 2–2 (golos fora) |
A final jogou-se a 23 de maio de 1990, no Prater, em Viena. O Milan de Arrigo Sacchi, que defendia o título, ganhou por 1–0, com um golo de Frank Rijkaard aos 68 minutos. Foi a sexta final europeia consecutiva perdida pelo Benfica e a quinta na Taça dos Campeões, e é a última que o clube jogou nessa prova. A final da Taça dos Campeões de 1990 tem os pormenores.
Como foi o campeonato de 1990/91?
Em 1989/90 o Benfica acabou o campeonato em segundo lugar, atrás do FC Porto, que ganhou o título nesse ano. A resposta veio em 1990/91: o Benfica foi campeão, o terceiro e último título de Eriksson em Portugal, com Rui Águas como melhor marcador do campeonato, com 25 golos. Na Taça de Portugal, nessa época, o FC Porto bateu o Beira-Mar na final por 3–1 após prolongamento.
| Época | Campeão nacional | Taça de Portugal (vencedor, finalista, resultado) | Posição do Benfica |
|---|---|---|---|
| 1989/90 | FC Porto | Estrela da Amadora, Farense, 2–0 (repetição, após 1–1 a.p.) | 2.º |
| 1990/91 | Benfica | FC Porto, Beira-Mar, 3–1 (a.p.) | Campeão |
| 1991/92 | FC Porto | Boavista, FC Porto, 2–1 | 2.º |
O título deu ao Benfica o direito de jogar a Supertaça de 1991, contra o FC Porto, vencedor da Taça. O conjunto dos dois jogos acabou 2–2, a repetição acabou 1–1 após prolongamento e o FC Porto ganhou nos penáltis, por 4–3. Foi o troféu que escapou a Eriksson depois do campeonato.
Em 1991/92 o Benfica voltou a ficar em segundo lugar, atrás do FC Porto, e não ganhou nenhum troféu. Eriksson saiu no fim da época, em 1992, para a Sampdoria.
Que jogadores suecos passaram pelo Benfica de Eriksson?
A ligação à Suécia ficou como uma marca do clube nesses anos. Os quatro suecos que jogaram no Benfica com Eriksson no banco, ou no seu tempo, foram estes:
| Jogador | No Benfica | Jogos e golos |
|---|---|---|
| Glenn Strömberg | de janeiro de 1983 a 1984 | 44 jogos, 6 golos |
| Mats Magnusson | 1987 a 1992 | 163 jogos, 87 golos |
| Jonas Thern | 1989 a 1992 | 101 jogos, 10 golos |
| Stefan Schwarz | 1990 a 1993 | 111 jogos, 10 golos |
Magnusson ganhou o campeonato de 1990/91 e a Supertaça de 1989; Thern ganhou as mesmas duas provas; Schwarz ganhou o campeonato de 1990/91 e, mais tarde, a Taça de Portugal de 1992/93 e o campeonato de 1993/94. Os números são os do clube.
Que legado deixou Eriksson?
O legado mede-se em três planos. O primeiro é o desportivo: três campeonatos, uma Taça de Portugal e uma Supertaça em seis épocas, com duas finais europeias. O segundo é o dos jogadores suecos que trouxe ou com quem trabalhou na Luz, de Strömberg a Schwarz. O terceiro é o da memória: quando morreu, a 26 de agosto de 2024, o Benfica recordou a sua urbanidade e a UEFA chamou-lhe figura acarinhada do futebol.
Erros comuns
- «Eriksson ganhou a Taça UEFA com o Benfica.» Não: ganhou-a em 1982 com o IFK Göteborg; com o Benfica perdeu a final de 1983 com o Anderlecht.
- «A final de 1990 foi na primeira passagem.» Não: foi na segunda, em 1989/90, e o Benfica perdeu com o Milan, por 1–0.
- «Eriksson ganhou quatro campeonatos no Benfica.» Ganhou três: 1982/83, 1983/84 e 1990/91.
- «O Benfica ganhou a Taça dos Campeões Europeus com Eriksson.» Não: o Benfica ganhou a prova em 1961 e 1962; com Eriksson perdeu a final de 1990.
Perguntas rápidas
Quando nasceu e morreu Sven-Göran Eriksson?
Nasceu em 1948 e morreu a 26 de agosto de 2024, com 76 anos.
Quantos campeonatos ganhou no Benfica?
Três: 1982/83, 1983/84 e 1990/91.
Que finais europeias perdeu com o Benfica?
A da Taça UEFA de 1983, com o Anderlecht, e a da Taça dos Campeões Europeus de 1990, com o Milan.
Para onde saiu em 1992?
Para a Sampdoria, em Itália.
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